SOMOS TODOS MÃO DE OBRA NÃO REMUNERADA...
Toda semana alguém me pergunta sobre estratégia de conteúdo.
Quantas vezes postar, qual o melhor horário, reels ou carrossel, Instagram ou LinkedIn, como crescer, como engajar?... São perguntas legítimas, mas quase sempre vêm depois de um erro básico: ninguém perguntou antes se isso está trazendo clientes.
Porque seguidores não pagam boleto. Curtidas não fecham contrato. Alcance não é faturamento.
O modelo de negócio do Meta, do LinkedIn e do Google é simples: capturar atenção, coletar dados e vender anúncios. Quanto mais conteúdo você produz, mais matéria-prima essas plataformas têm para distribuir. Você alimenta a máquina. Eles vendem a audiência.
Nesse modelo, o criador de conteúdo virou uma espécie de mão de obra não remunerada, trabalhando de graça para "encher" os espaços nas redes sociais. Produz, revisa, agenda, publica, responde, tenta entender o algoritmo, muda o formato, testa legenda, grava vídeo, faz dancinha corporativa disfarçada de autoridade — e, no fim, quem fatura com previsibilidade é a plataforma.
O mais sofisticado é que as próprias plataformas ajudaram a criar o consenso de que produzir conteúdo é marketing. Às vezes é mas, na maioria dos casos, é só ocupação disfarçada de estratégia.
Conheço empresas que postam três vezes por semana há anos e nunca fizeram a pergunta mais simples: quantos clientes vieram disso?
Não seguidores, não impressões, não curtidas... Clientes!
A pergunta incomoda porque a resposta costuma ser vaga. “Não sei.” “Acho que ajuda.” “Dá presença.” “Todo mundo faz.”
E assim o calendário editorial continua cheio, a agência continua faturando, o dono da empresa continua ocupado e o resultado continua nebuloso.
O problema não é produzir conteúdo. O problema é produzir conteúdo como quem paga pedágio para existir.
Eu também estou nessa esteira. Este artigo está no LinkedIn, portanto eu também estou apostando que conteúdo pode gerar resultado.
A diferença, ao menos deveria ser, está na hipótese.
Meu cliente potencial é um decisor. Alguém que pesquisa antes de contratar, compara fornecedores, percebe quando um site é fraco, desconfia de solução barata demais e entende que presença digital não é enfeite. O LinkedIn faz sentido porque esse público está aqui em modo profissional, não apenas se distraindo.
Se essa hipótese se confirmar, continuo. Se não se confirmar, paro e tento outro caminho. É isso que falta em boa parte das estratégias digitais: menos fé no algoritmo e mais compromisso com evidência.
Antes de contratar social media, antes de montar calendário editorial, antes de comprar curso de como crescer no Instagram, vale responder com honestidade:
Você está produzindo conteúdo com objetivo mensurável ou está apenas girando a roda porque disseram que empresa séria precisa postar toda semana?
Algoritmo não compra o que você vende.
Cliente compra.
Abraço,
Luís Henrique - ophicina.net.br
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